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SP-Theatro Municipal de SP remonta ópera “Pelléas et Mélisande

SP-Theatro Municipal de SP remonta ópera “Pelléas et Mélisande

Theatro Municipal de SP remonta ópera “Pelléas et Mélisande

 

O Theatro Municipal de São Paulo comemorou em 2012 os 150 anos de nascimento de Debussy com uma nova produção da ópera Pelléas et Mélisande, um dos maiores sucessos da história recente da casa. Agora, aos 100 anos de falecimento do compositor, o Municipal a coloca de volta ao palco, com récitas a partir desta sexta de feriado, com apresentações dias 12, 14, 17, 19 e 21 de outubro, sob regência de Alessandro Sangiorgi e a direção cênica de Iacov Hillel, responsável pela produção original.

Pelléas et Mélisande começou a ser escrita por Debussy no início dos anos 1890, depois de longa busca por um tema. “Eu desejava há tempos escrever música para o teatro, mas a maneira como queria fazê-lo era tão pouco usual que quase desisti da ideia”, diria o compositor anos mais tarde, contando que ao encontrar a peça do autor simbolista Maurice Maeterlinck envolvendo o triângulo amoroso entre Pelléas, Mélisande e Golaud se deu conta de ter em mãos o tema ideal.

Comentando a estreia da produção em 2012, o jornalista e crítico musical Irineu Franco Perpetuo escreveu no Site CONCERTO que “Iacov Hillel optou por uma encenação leve e minimalista”. “Cenários e figurinos despojados e abstratos, projeções de obras de Monet e palco giratório foram os recursos que transportaram a plateia para um universo onírico e desterritorializado.” Os cenários são de Helio Eichbauer, morto no início deste ano, que será homenageado pela produção. No elenco, estão o barítono Yunpeng Wang (Pelléas), a soprano Rosana Lamosa (Mélisande), o baixo-barítono Stephen Bronk (Golaud), o baixo Mauro Chantal (Arkel) e a mezzo soprano Lidia Schaffer (Geneviève), entre outros.

O texto “O laboratório musical de Debussy”, de Leonardo Martinelli na edição de outubro da Revisra CONCERTO.

Em Pelléas et Mélisande, que sobe ao palco do Theatro Municipal de São Paulo, encontramos uma partitura operística sem precedentes

Ao longo do século XIX, a música passou por um intenso processo de desenvolvimento e transformação, tanto em suas implicações sociais como nos meandros de sua linguagem e sua escritura. A consequência disso foi um impasse quanto ao rumo a ser tomado pelos compositores às vésperas do século XX, a partir da complexa herança que o romantismo os havia legado.

Tal situação foi especialmente acentuada no teatro de ópera, pois no palco lírico os paradoxos típicos do espírito e das artes românticas se materializaram em forma de acirradas disputas, nas quais se antagonizavam os entusiastas do hedonismo à italiana (simbolizado pela obra de Giuseppe Verdi) e os fiéis da grandiloquência alemã

Impressionado com a força simbólica do enredo, no mesmo ano em que a peça de Maeterlinck foi estreada, Debussy começou a se dedicar ao projeto de levá-la para o palco de ópera. O início dessa empreitada foi realizado pela cena final do quarto ato (quando ocorre o fratricídio), momento em que o compositor francês também se deu conta do peso da tradição wagneriana na música operística, em especial de sua técnica a partir de “motivos condutores” (Leitmotiv).

Determinado a não se tornar um mero epígono, Debussy faz da partitura de Pelléas et Mélisande um verdadeiro laboratório musical, no qual, em vez de requentar antigas fórmulas, ele inventa combinações e compostos sonoros, um conjunto exuberante de timbres que lhe valeriam a alcunha de “o impressionista” da música de concerto, referência ao movimento das artes plásticas francesas iniciado décadas antes, no qual os traços de delineação cedem espaço a um virtuoso uso do pincel e de matizes da paleta cores.

Como resultado, encontramos em Pelléas et Mélisande uma partitura operística sem precedentes, na qual o lirismo das partes vocais é deliberadamente eclipsado (Debussy chegou a dizer que “a melodia, se é que posso falar isso, é antilírica”) em prol de uma escritura musical que valoriza o conjunto das sonoridades construídas de forma delicada (para dar uma ideia, a ópera conta apenas com quatro fortissimos ao longo de mais de três horas de duração), que convidam a plateia a realizar uma viagem sonora, não teatral, pela sucessão de suaves atmosferas musicais. Não seria isso tudo uma ópera confessadamente antiteatral, uma espécie de precursora da “antiópera”, atitude que caracterizaria o gênero ao longo da modernidade e do século XX?

Além de Debussy, a força do argumento de Maeterlinck influenciaria outros compositores, como Gabriel Fauré, que em 1898 compôs a música incidental para uma nova encenação da peça, e o alemão Arnold Schönberg, que, em 1905, finalizava um poema sinfônico também sob a trágica égide da história de amor impossível entre Pelléas et Mélisande


AGENDA
Ópera Pelléas et Mélisande, de Claude Debussy
Iacov Hillel – direção / Alessandro Sangiorgi – regente
Dias 12, 14, 17, 19 e 21, Theatro Municipal de São Paulo 

 (simbolizado pela obra de Richard Wagner), enquanto os franceses situavam-se a um meio-termo entre esses polos, porém sempre a carregar o fardo de seu passado e de sua tradição.

Talvez não tenha sido mera coincidência o fato de um compositor francês romper com esse tensionamento com o qual a arte operística deu seus primeiros passos rumo à modernidade, pois foi dessa maneira que podemos entender a importância musical e histórica de Pelléas et Mélisande, de Claude Debussy (1862-1918).

Em 1893, a peça Pelléas et Mélisande, do belga MauriceMaeterlinck (1862-1949), foi apresentada pela primeira vez no palco do Théâtre des Bouffes-Parisiens, em Paris. Autor comumente associado ao simbolismo, nessa peça Maeterlincktrabalha os ciclos perpétuos de criação e destruição por meio da interação simbólica entre Eros (deus do amor, mas mais especificamente do impulso sexual) e Anteros, seu exato oposto. Essa ideia é materializada no enredo a partir do triângulo amoroso entre Mélisande, noiva de Golaud (um dos netos do rei Arkel), que, no entanto, acaba se apaixonando por seu cunhado, Pelléas. Quando Golaud se dá conta do afeto existente entre Pelléas e Mélisande, em um acesso de fúria, assassina o irmão. Gravemente enferma e grávida, Mélisande jura que o filho não é de Pelléas (antecipando assim a dúvida que anos depois fustigaria o personagem Bentinho de Dom Casmurro, de Machado de Assis) e, antes de morrer, dá à luz uma menina anormalmente diminuta.

 

Veja no Roteiro do Site CONCERTO os detalhes da apresentação.

  • 11h00 11º Festival Contemporâneo de Dança de São Paulo Espetáculo Partituur, coreografia de Ivana Muller. Continuidade até dia 29. Cidade: São Paulo, SP Data: 12/10/2018 Local: Centro Cultural Banco do Brasil - SP Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Tel. (11) 3113-3600 (130 lugares) Reapresentações: às 17h, e dia 13 às 11h e às 17h.
  • 18h00 Ópera Pelléas et Mélisande, de Debussy Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e Coro Lírico Municipal. Alessandro Sangiorgi – regente. Iacov Hillel – direção cênica e iluminação. Yunpeng Wang (Pelléas), Rosana Lamosa (Mélisande), Stephen Bronk (Golaud), Mauro Chantal (Arkel), Lidia Schaffer (Geneviève), Andrey Mira (Médico) e Benjamim Garcia e Miguel de Azevedo Marques (Yniold). Hélio Eichbauer – cenários. Marisa Rebollo – figurinos. Cidade: São Paulo, SP Data: 12/10/2018 Local: Theatro Municipal Endereço: Praça Ramos de Azevedo, s/nº – Centro – Tel. (11) 3397-0327. Ingressos: tel. (11) 2626-0857 – www.compreingressos.com/ theatromunicipaldesaopaulo. Salão Nobre (150 lugares) e Sala principal (1500 lugares). Ingressos: R$ 20 a R$ 120.
  • 20h00 Ópera Pelléas et Mélisande, de Debussy Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e Coro Lírico Municipal. Alessandro Sangiorgi – regente. Iacov Hillel – direção cênica e iluminação. Yunpeng Wang (Pelléas), Rosana Lamosa (Mélisande), Stephen Bronk (Golaud), Mauro Chantal (Arkel), Lidia Schaffer (Geneviève), Andrey Mira (Médico) e Benjamim Garcia e Miguel de Azevedo Marques (Yniold). Hélio Eichbauer – cenários. Marisa Rebollo – figurinos. Cidade: São Paulo, SP Data: 12/10/2018 Local: Theatro Municipal Endereço: Praça Ramos de Azevedo, s/nº – Centro – Tel. (11) 3397-0327. Ingressos: tel. (11) 2626-0857 – www.compreingressos.com/ theatromunicipaldesaopaulo. Salão Nobre (150 lugares) e Sala principal (1500 lugares). Ingressos: R$ 20 a R$ 120. Reapresentações: dias 14 e 21 às 18h e dias 17 e 19 às 20h.
  • 20h30 Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo Marin Alsop – regente. Ning Feng – violino. Programa: Prokofiev – Sinfonia nº 1, Sinfonia clássica; Paganini – Concerto para violino nº 1; Guarnieri – Suíte Vila Rica: Excertos; e R. Strauss – O cavaleiro da rosa: Suíte. Cidade: São Paulo, SP Data: 12/10/2018 Local: Sala São Paulo Endereço: Praça Júlio Prestes, s/nº – Telefone 3223-3966. Ingressos INTI: tel. (11) 3777-9721 e www.osesp.byinti.com/#/ticket. Pessoas acima de 60 anos e estudantes pagam meia entrada (somente na bilheteria da Sala). Estacionamento: R$ 28. (1388 lugares) * Ingressos: R$ 50 a R$ 222. Reapresentações: dia 13 às 16h30.
  • 21h00 Musical O fantasma da ópera, de Andrew Lloyd Webber Harold Prince – direção. Maria Björnson – design de produção. Gillian Lynne – encenação musical e coreografia. Thiago Arancam e Leonardo Neiva (Fantasma), Lina Mendes e Giulia Nadruz (Christine), Fred Silveira (Raoul), Sandro Christopher (Monsieur Firmin), Marcos Lanza (Monsieur André), Bete Diva (Carlotta), Cleyton Pulzi (Piangi), Taís Víera (Madame Giry) e Fernanda Muniz (Meg Giry). Ariadne Okuyama, Carol Paz, Carol Tangerino, Caru Truzzi, Isabella Morcinelli, Yasmin Barbosa, Thiago Garça e Victor Vargas – bailarinos. Apresentação até 23/12, quartas, quintas e sextas-feiras às 21h, sábados às 16h e às 21h e domingos às 15h e às 20h.Cidade: São Paulo, SP Data: 12/10/2018 Local: Teatro Renault Endereço: Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 - Bela Vista - Tel. (11) 4003-5588

 

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