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Artigo-O jantar-Mentor Neto

Artigo-O jantar-Mentor Neto

O jantar

 

Todas as semanas, desde que a campanha eleitoral começou — pouca gente sabe disso — os candidatos se reúnem num jantar para, juntos, avaliarem suas campanhas.
Eu sei, é difícil de acreditar.
Mas é verdade.
Ocorre que o Brasil está numa situação tão miserável, que qualquer candidato que tivesse uma plataforma séria e competente facilmente ganharia a eleição.
Então as assessorias fecharam um acordo para equilibrar o pleito de forma a que todos tenham chances iguais.
Por esse acordo nenhum candidato está autorizado a divulgar propostas que façam qualquer sentido.
Só podem falar bobagens e se acusar mutuamente.
Assim, nós, eleitores, perdemos qualquer capacidade de julgamento e a democracia pode seguir seu curso.
Nesses jantares, sempre em locais secretos definidos em cima da hora, cada candidato apresenta o avanço para trás de suas campanhas.
E ai de quem falar coisa com coisa.
No jantar da semana passada, Alckmin abriu os trabalhos.
– Bem senhores…essa semana, como sempre, não falei nada.
Os candidatos se entreolharam desconfiados, afinal, não falar nada, no contexto atual, poderia até render alguns pontos para o tucano.
– Calma! — Alckmin se adianta às críticas — consegui que o Aloysio Nunes afirmasse publicamente que o Bolsonaro não vai fazer mal para nossas relações com outros países! Acho que isso pode me render um pontinho pra baixo. — concluiu orgulhoso.
Todos vibram.
Só o Alckmin mesmo para conseguir que um cacique do seu próprio partido falasse bem de outro candidato.
– Isso porque o FHC disse para amigos que apoia o Haddad no segundo turno, né? — perguntou Marina mas ninguém deu atenção.
– E você Ciro? — perguntou Meirelles.
– Eu? Ah… eu estou mantendo a história de tirar o pessoal do SPC. — Ciro dá de ombros.
Esse Ciro é um piadista mesmo, alguém comenta.
A verdade é que todos reconhecem que com esse absurdo Ciro conseguiu reverter o quadro que poderia levá-lo direto para o segundo turno, isso é o que importa.
Como Bolsonaro continuava no hospital, seus filhos Carlos e Eduardo estavam representando o líder nas pesquisas.
Alvaro Dias puxou os elogios:
– Queria pedir uma salva de palmas aqui para o Carlinhos pela brilhante imagem postada no Instagram.
O irmão Eduardo, invejoso, gritou:
– Peraí pô! E eu que disse que as mulheres de direita são mais bonitas e higiênicas que as de esquerda? Nada?
– Palmas para os dois, então. E não vamos esquecer o Mourão que falou besteira de novo!
Aplausos.
Eymael sugere que se o Mourão continuar assim, alguém pode desconfiar do acordo.
Ninguém deu bola.
Chega a vez de Haddad.
– Bom…essa semana o Lula mandou que eu insistisse nessa coisa de que vamos chamar uma Constituinte.
– Lula é demais — Boulos cochicha com os próprios botões.
Haddad recebe alguns elogios para Lula.
– Pra você é fácil, né Haddad? Queria eu poder citar as ordens do Lula. A essa altura já estaria fora do páreo — Amoêdo contesta.
Todos pensam que o liberal já está fora do páreo mesmo sem Lula, mas não falam nada.
Coitado. É bem intencionado.
O jantar continua com assuntos mais amenos.
Lá pelas tantas, atrasado, chega o Cabo Daciolo dando seu relatório.
– Gloria a Deus, pessoal! Vocês viram que eu falei que…
Mas ninguém deixa que ele termine a frase.
Aplaudem de pé sua chegada.
Esse é um gênio.

 

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