Atividades Culturais

Artigo-“NINGUÉM SE SALVA SOZINHO”

Artigo-“NINGUÉM SE SALVA SOZINHO”

 

 
 

“NINGUÉM SE SALVA SOZINHO”

A fé cristã é vivenciada em duas das mais complexas experiências humanas, a individual e a coletiva. Na individualidade da fé extraímos as descobertas mais intimistas e profundas do sagrado e do profano. Nela nos descortinamos e somos impossibilitados de usar as máscaras que tão de perto nos rodeiam e ajudam a teatralizar nossas inter-relações. Neste campo não há gestos, liturgias, ritos ou aparências – somos quem somos. Acompanha-nos apenas nossas dores, necessidades, angústias, dúvidas e, muitas vezes, o silêncio da alma. É aqui que se enquadra a intenção de Jesus ao dizer aos seus discípulos: “Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará”. (Mt 6:6). Por outro lado, homem nenhum é uma ilha ou,  parafraseando Paulo Freire, ninguém se salva sozinho, ninguém salva ninguém; todos nos salvamos juntos. Esta é a dimensão coletiva da experiência cristã. Nela nos encontramos com o próximo. Na primeira, é o EU E TU. Nesta é o EU e o OUTRO. É uma experiência também complexa, pois deixamos a zona do conformo da pessoalidade e nos aventuramos na troca de informações e na absorção da vida de outra pessoa histórica e sentimentalmente diferente de nós – mesmo que em alguns casos mantidos a distância.  Não há nenhuma relação de valor nas duas experiências, ou seja, uma não é mais importante que a outra – na verdade, uma pode até nem existir sem a outra. A individualidade da fé deve nos apontar para seu caráter coletivo. Vivo e compartilho Cristo em minha alma e no secreto do meu quarto e vivo Cristo fora do quarto, da casa e da varanda, vivo-O na rua, na esquina, com o outro e com os outros. De certo, em graus diferentes, essa distância entre fé individual e coletiva, existe em todos nós. Muitos em nome de uma desprezam a outra e, assim, tornam-se vulneráveis aos ventos mais fortes. Por motivos diversos há aqueles que renunciaram totalmente o outro de sua experiência espiritual. Foram capazes de blindarem-se da necessidade alheia e se enclausuraram nos mosteiros da existência solitária, ignorando, por vezes, a vida coletiva numa igreja local – corpo vivo de Cristo e suas múltiplas relações com o serviço cristão. Eu preciso de Deus e preciso do outro, eu preciso da igreja, eu sou a igreja, afinal, ninguém se salva sozinho.

 

Pr. José Marcelo -prjmarcelo.gv@hotmail.com

Agenda Cultural

RJ/Rio de Janeiro

Comédia ‘Favela 2 — A gente não desiste’ estreia no Teatro Dulcina, no Rio

/Brasil

MinC abre seleção para Comissão Nacional de Incentivo à Cultura
ANÚNCIO

Envie um email para clorindo@arteecultura.com.br

by Magix